quarta-feira, 4 de março de 2009

Minha torcida é pela fé


Uma matéria que saiu na Revista Veja de 04/02/2009 me chamou muito a atenção. Referia-se a força da música religiosa - católica e evangélica no mercado fonográfico da atualidade.

A reportagem me levou a pensar e interpretar tal informação por duas vertentes. A primeira é lamentável: Boa parte da indústria da informação tornou-se sensacionalista e pode por vezes nos ser traiçoeira.

De inicio esperava um reconhecimento por parte da reportagem sobre o assunto em questão e não uma maré de críticas aos cantores religiosos, feitas hora de forma irônica, hora camuflada. O principal alvo, sem dúvidas, foi o hoje conhecido e reconhecido Pe. Fábio de Melo, descrito por eles como o “maior fenômeno musical surgido no Brasil ultimamente”.

Comentários tendenciosos foram feitos em relação a sua pessoa: Foi citada a sua beleza física, a marca de seu relógio de pulso, o modelo de suas calças jeans, truques de beleza (ditos por eles como utilizados pelo padre), a imagem de “bonitão” que prega e a possível histeria que tudo isso causa nas mulheres. No mais, como uma forma de “justiça seja feita” ou “apesar de tudo” foi momentaneamente reconhecido como estudioso e religioso que é, com bons sermões e bons livros categorizados como da área de auto-ajuda.

Tendei entender aonde queriam chegar, o que realmente estava sendo levado em conta: A beleza, logicamente vistosa do padre e a forma como cuida de seu a asseio pessoal ou o que de fato vem ocorrendo com os consumidores e com o mercado fonográfico que faz com que o venda de CDs religiosos cresça e não encontre a crise?

Entendi então, que o interesse maior está voltado na venda do peixe. Não importa como, quanto mais sensacionalista mais atenção chama e maiores serão as vendas. E Abro parênteses para uma questão: Será que verdadeiramente podemos acreditar, por nossa atenção e inserir em nossa bagagem de conhecimento tudo o que lemos por aí? Acho que as evidências mostram que não. E esse problema não se insere somente em um veículo de comunicação como o aqui citado, mas em vário outros por nós conhecidos.

Mas como disse, vejo tal informação por duas vertentes. A segunda é: A procura pela música religiosa mostra como as pessoas podem estar buscando se interiorizar mais. Vivemos em momentos de crise financeira, trabalhos exaustantes e na busca incessante de estudo e conhecimento como forma de sobrevivência nessa selva chamada mercado de trabalho. A violência virou monotonia, a falta de dinheiro também, as famílias passam por crises e o que parece é que queremos rezar mais, apelar para um ser superior que nos guarde e nos proteja.

Talvez possam surgir outras explicações, como a que justificaria que esses CDs ainda são muito vendidos porque a pirataria ainda não os adotou ou que esse aumento de consumidores religiosos é modismo e que logo passa. Prefiro acreditar que não. Coloco minha esperança no aumento da fé em nosso país.

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